PROMOVER SAÚDE, PROMOVER EMPREGO


Foto: CREFPR

Cada vez mais preocupados com a saúde de trabalhadores e de olho no retorno produtivo, empresários investem na promoção da saúde e campo de atuação cresce para Profissionais de Educação Física.

Quem pensa que Educação Física limita-se a escola, academia e esporte está atrasado. Hoje o profissional formado em Educação Física sai da Universidade preparado para trabalhar em diversas áreas, entre elas a Saúde. Cada vez mais estudos apontam a prática de atividade física como fator que auxilia na prevenção ou redução efeitos de doenças como Diabetes, colocando o Profissional como importante agente para a promoção da saúde.

O mercado enxerga isso. Investir em saúde muitas vezes pode significar economia no bolso de empresários e maior produtividade dos funcionários. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), todo ano mais de 260 milhões de trabalhadores são afastados por três ou mais dias devido a acidentes ou doenças relacionadas ao trabalho. No Paraná cerca de 50 mil trabalhadores foram afastados de suas funções, de acordo com o último levantamento do Sistema Único de Saúde em 2011.

O dinheiro destinado a saúde do trabalhador proporciona funcionários mais ativos, que faltam menos por lesões ou fadiga e assim produzem mais. Além disso, segundo  o  Advogado  Trabalhista,  Rafael Nassif,  os custos do investimento em  promoção  da  saúde  geralmente são inferiores ao de processos. As Leis Trabalhistas em vigência obrigam as empresas a bancar o custeio de tratamentos, chegando até a pensões vitalícias. “É importante que o Profissional de Educação Física saiba dos riscos causados por doenças oriundas do trabalho, inclusive na esfera econômica, para passar ao empresário. Mostrar o retorno, ainda que por essa vertente, facilita a recepção por parte dos empreendedores”, orienta Nassif.

Para o médico Rafaello Popa Di Bernardi, a prática de exercícios físicos no ambiente de trabalho, ministrados por um Profissional de Educação Física, podem reduzir estes casos e aumentar o rendimento nas empresas onde são aplicados. “O profissional de Educação Física é o maestro para a atividade física, é o profissional indicado e formado para aplicar a atividade física em qualquer ambiente. Você tirar 15 minutos para fazer exercícios dentro do trabalho, aí está o futuro, se investe 15 minutos por dia em seus trabalhadores, mas tem um retorno enorme porque essa pessoa não afasta, reduz o índice de absenteísmo. Esse custo é difícil de mensurar”, explica.

Devido a isso, empresas e indústria começam a pensar  formas  de  minimizar  efeitos  da  fadiga  muscular, lesões e doenças relacionadas ao trabalho através de programas preventivos. Com a criação de programas de Ginástica Laboral, exercícios, academias e prática esportivas os Profissionais de Educação Física ganham mais espaço para trabalhar em empresas.

É o caso do Profissional Filemon Cardoso [CREF 007868-G/PR]. Há 16 anos atuando diretamente na saúde, Filemon enxergou na necessidade das empresas a possibilidade de crescer profissionalmente. Hoje proprietário de uma consultoria que aplica programas de saúde. “Em 1999 um colega médico solicitou que elaborássemos programa de Ginástica Laboral (GL) para uma empresa em que ele chefiava todos os serviços de saúde. Apresentamos o projeto, mas não pudemos aplicar por falta de tempo. Foram contratados outros profissionais e, um ano depois, na primeira avaliação de resultados, ficamos impressionados com o sucesso do programa. Imediatamente eu e Gerson Doll criamos a empresa e iniciamos o trabalho na área de GL”, conta.

Hoje o Profissional de Educação Física ajuda a desenvolver programas de GL, avaliação física, organizar palestras e eventos sobre atividade física e saúde, organização de eventos e treinamentos esportivos. Para ingressar no mercado é um dos pontos importantes é o conhecimento básico de GL, assim como a disposição para trabalhar em diferentes setores e com diferentes perfis de pessoas de uma empresa ou fábrica.

Mirando o aprimoramento profissional e o crescimento da profissão, o CONFEF, junto a outros CREFs, lançou o livro “Ginástica Laboral – Prerrogativa do Profissional de Educação Física”. Segundo o organizador do livro, Antonio Eduardo Branco [CREF 000009 G/PR], o texto é um guia para Profissionais que possuem interesse em atuar na área e empresas que querem começar programas de saúde. “Esse livro passa a ser um marco regulatório, mostrando como ela [GL] começou e porque é uma prerrogativa do profissional de educação física. Vem para esclarecer a todos os profissionais de saúde que trabalham com a saúde do trabalhador o que é a Ginástica Laboral, para que ela serve, como se deve contratar uma empresa especializada”, destaca.

A inserção da GL no ambiente de trabalho tem resposta rápida, os primeiros sinais de mudança são perceptíveis. Resultados a curto, médio e longo prazo proporcionam um ambiente de trabalho mais saudável. Filemon destaca que mesmo com grandes resultados é essencial a cooperação dos funcionários. “O programa a médio e longo prazo ajudam a empresa a conter afastamentos decorrentes de movimentos repetidos relacionados ao trabalho. Porém com uma observação: assiduidade das pessoas em relação a participação do programa de exercícios. Se o programa prevê 3 inserções semanais (12 ou 13 mensais) a adesão tem que ser total”.     

Além da colaboração do quadro de trabalhadores, o Profissional de Educação Física precisa saber trabalhar com profissionais de outras áreas, discutindo e construindo os programas de saúde que vão ser aplicados a cada empresa. “Na maioria das empresas em que trabalho, temos o apoio de Médicos, Fisioterapeutas e até de Massoterapeutas. O contato com Engenheiro de Segurança e Técnico em Segurança de Trabalho é diário. A troca constante de informações com estes profissionais fica relacionado diretamente ao sucesso de nosso trabalho nas empresas”, destaca Filemon.