Mercado de trabalho: Pensando em atuar no setor da saúde? Então prepare-se para ler muito


Foto: CREFPR

É o que sugere a profissional de Educação Física Claudia Guimarães; nessa entrevista ela conta como entrou na área e suas principais dificuldades para promover saúde dos participantes de Programa Academia da Saúde de Nova Tebas

A graduação está chegando ao fim e ainda não sabe que caminho seguir? Essa é uma realidade experimentada por muitos acadêmicos de Educação Física. Embora as academias sejam ainda o segmento que mais emprega no país, o profissional vem ganhado espaço no setor de saúde, diante do reconhecimento de seu papel na melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Na edição de Setembro do Boletim Informativo do CREF9/PR, a reportagem “Saúde: o Mercado do Futuro da Educação Física” contou a experiência do Conselheiro Marcelo Hagebock Guimarães, atual presidente do Conselho Estadual de Saúde do Paraná, função que nunca no Brasil havia sido encabeçada por um profissional da Educação Física. A matéria também destacou a trajetória de Diego Spinoza, outro profissional de Educação Física que desponta na área, atuando como Conselheiro Estadual de Saúde.

Hoje compartilhamos a história de Claudia Heller Cunha Guimarães, bacharel pela Faculdade Integrado de Campo Mourão e especialista em Atividade Física e Saúde, pela Unicentro. Claudia é coordenadora do Programa Academia da Saúde de Nova Tebas, no interior do Estado. É também apoiadora da equipe do NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) e faz parte do Conselho Municipal de Saúde da cidade.

O ingresso de Claudia na área de saúde se deu a convite da Secretaria Municipal de Saúde de Nova Tebas, para atuar no Programa Academia da Saúde. “Não foi nada fácil uma recém formada cair na área tão pouco explorada pela Educação Física, mas a minha paixão pelo setor era tamanha que fui estudando, lendo, visitando os municípios”, lembra a profissional.

Ela lembra que, quando ingressou na faculdade, nem sabia da possibilidade de atuação na área da saúde, e se sentia perdida sobre que rumo profissional tomar quando estava na graduação. “E de repente no oitavo período da faculdade tive a disciplina de saúde coletiva. Foi ai que tive o meu primeiro contato com a área da saúde pública, através dessa disciplina, onde fiquei conhecendo um pouco dessa área, ainda tão pouco falada tanto dentro da saúde pública, quanto na educação física. Eu me apaixonei pela matéria e a partir daí comecei a pesquisar e ler muito sobre essa atuação”, conta.

Nessa entrevista, a jovem coordenadora do Programa Academia da Saúde de Nova Tebas compartilha sua experiência e as dificuldades que enfrentou no início.

Como você vê a aceitação dos pacientes a presença de atividades físicas nos tratamentos?

Claudia - No começo pelo desconhecimento do trabalho, as pessoas não procuravam os grupos de atividade física e nem eram encaminhados pelos médicos visto que os mesmos não acreditavam na possiblidade de tratamento por meio da atividade física. O processo de aceitação foi lento, mas a partir do sexto mês de atividades as pessoas que participavam começaram a sentir os efeitos benéficos das atividades no seu organismo, tanto na parte física quanto social e psíquica. Hoje em dia, com quase três anos de implantação, temos cerca de 200 alunos, e uma lista de espera extensa.

Quais os principais benefícios da atividade física no tratamento e prevenção de doenças? Para quais doenças o tratamento é indicado?

Claudia - Os principais benefícios estão na mudança na qualidade de vida dos pacientes, melhorando a resistência aeróbica (cardiorrespiratória), flexibilidade, coordenação motora, equilíbrio, força, resistência muscular, melhora da socialização e a sensação de bem estar. Esses benefícios são explorados na prevenção e o tratamento das Doenças Crônicas não transmissíveis, tais como Hipertensão, Diabetes, Obesidade e doenças Psicossomáticas e Sedentarismo. E se for falar aqui sobre as melhoras trazidas a nossa população depois dessa oferta de tratamento ficaria horas relatando o que me passam os pacientes, são inúmeras da forma mais complexas e também mais simples possíveis, o que é divino.

Quais conhecimentos um Profissional de Educação Física precisa para atuar na área da saúde? A graduação prepara para isso?

Claudia - Penso que todos aqueles conhecimentos que nos são passados na graduação que são de grande valia, se bem aproveitados é claro, mais voltadas para a área do corpo humano e também aquelas disciplinas sobre grupos especiais e suas patologias. Além de tudo isso também se deve saber toda a história da saúde pública brasileira e suas influências estrangeiras, ou seja, ter conhecimento de epidemiologia, do histórico da promoção da saúde, saber os princípios do SUS e os fundamentos para a prática da promoção da saúde. É importante saber também sobre as novas políticas de promoção e prevenção de saúde, e como funciona NASF, o Programa Academia da Saúde, sobre as Estratégias Saúde da Família, além de saber sobre os benefícios do exercício físico sobre todas as doenças possíveis.

Precisa ler muito, dominar conhecimentos sobre os fatores de risco e seus possíveis agravos para uma comunidade ou bairro, buscando parcerias com outros setores (escolas, assistência social), para um melhor desenvolvimento na conscientização das pessoas sobre a mudança das sua qualidade de vida e seu modo de viver. Isso pode ser desenvolvido por meio de palestras e movimentos que busquem mudanças de hábitos para a população.

Outra coisa que é de grande valia na atuação desse profissional na saúde pública é ser capaz de capacitar profissionais e/ou membros da comunidade para atuarem como facilitadores nas ações de conscientização e promoção de saúde, mostrando a possibilidade de uma mudança de hábitos, com  a ação da atividade física/práticas corporais.

Quais as principais diferenças em trabalhar nas unidades de saúde? Elas são preparadas para receber os Profissionais de Educação Física? Existe uma estrutura adequada para isso?

Claudia - Quando fiz o estágio de saúde na minha graduação não existiam profissionais de Educação Física vinculados em Unidade Básica de Saúde. E elas não estão preparadas para receber esses profissionais, visto que para uma melhor oferta de serviço requer espaço. E quando fiz meu estágio de saúde tive que fazer em uma academia normal, porque não havia esse profissional inserido na saúde pública na região.

Em Nova Tebas há três polos do programa Academia da Saúde que possuem uma estrutura fantástica. Quando conto como é a nossa estrutura aqui vejo que é motivo de espanto, porque contamos com três construções fechadas com sala de ginasticas, banheiros, sala de avaliação e sala para guardar materiais, além de uma estrutura externa com pista de caminhada e espaço para realizar atividades externas e aparelhos da Academia da Terceira Idade. Essas construções são bem próximas das Unidades Básicas de Saúde.

Como é atuar dentro de uma equipe multiprofissional? Como é a relação com os profissionais de outras áreas?

Claudia - Para mim não foi nada fácil cair na área da saúde e trabalhar com outros profissionais que já estavam ali há anos. Foi um desafio saber o que fazer ali para somar com aquela equipe. Me recordo que nas reuniões gerenciais muitos me olhavam como se eu fosse uma peça que não se encaixava ali. Eu tentando ser útil e somar. Assim fui lendo, pesquisando e buscando sempre inovar.  Hoje sou muito parceira de todas as equipes e até mesmo dos médicos, que sempre vêm até a mim para saber como estão os pacientes que me foram encaminhados.